14/08/2011 - Atualizado em 14/08/2011 00h08
Beijing, huan yíng ni!
Acredito que ir pra China dá ainda mais vontade de voltar, de conhecer mais e mais e saber se o que lemos a respeito dela é realmente verdade
por Jaqueline Kosilek
imprimirUm mês em uma cidade chinesa como Pequim não é suficiente para caracterizar a China como um todo, porém transmite uma boa base de conhecimento e análise crítica do chamado Império do Meio ou no próprio mandarim, zhÅÂÃÂng guó (ä¸åÂÃ⺽). Falando-se de China, este pequeno espaço não será suficiente para descrever o que foi a realização de um grande sonho. O sonho de cruzar o mundo, enfrentar 3 vôos que totalizaram cerca de 25 horas no ar (Guarulhos-Johannesburg, Johannesburg-Hong Kong, Hong Kong Pequim) e chegar a capital do país mais falado nos jornais, revistas, análises econômicas da mídia internacional e conhecer seus principais pontos turísticos: A Praça da Paz Celestial, a Grande Muralha, o Palácio de Verão, Tumbas, Templos, Casas de chá, restaurantes típicos, os famosos espetinhos de gafanhoto de Wangfujing, o artesanato, as roupas típicas, as casas noturnas, enfim, como é a vida de um chinês moderno. Além disso, assistimos durante todas as semanas a aulas de mandarim, Relações Internacionais, Economia e Negócios com a China, além de duas divertidas aulas de Kung Fu e Culinária na Beijing Language and Culture University.
Pequim, que hoje é também um dos principais destinos turísticos do mundo, recebeu no último mês de julho, nosso grupo de 28 brasileiros motivados pelas mais distintas razões a ir para o outro lado do mundo. Em nossa Universidade, BLCU, a "pequena ONU" para os mais íntimos e acostumados a ver por toda parte russos, alemães, coreanos (que segundo os professores são os mais odiados pelos chineses), muitos paquistaneses, europeus e quase nenhum brasileiro além de nós, tivemos aulas com professores muito bons, muito informados sobre a situação socioeconômica de nosso país e muito ocidentalizados inclusive. Um deles apenas se espantou quando dissemos que não tivemos guerra em nossa luta pela Independência. Foi uma situação muito engraçada, pois nunca havíamos parado pra pensar nisso!
As primeiras impressões não foram das melhores: um buraco no lugar da privada nos banheiros públicos, quase sempre sem papel, uma comida com muito óleo, vinagre e muitos molhos diferentes, placas com caracteres indecifráveis, motoristas de táxi que não falavam uma palavra em inglês, trânsito, poluição, calor. Logo eu já estava apaixonada pelo sorvete de ervilha e chorando pensando em como seria difícil voltar. Engajei-me tanto na idéia de me tornar uma moradora de Pequim que compramos (eu e minha roomate) panos, rodo para o banheiro, estoque de papel higiênico, mantimentos, e até fizemos visitas à biblioteca Nacional para estudar e procurar alguns livros para o TCC.
Vê-se que os professores universitários têm certas restrições quanto ao que é exposto e respondem à perguntas relacionadas ao Governo com certa limitação. Quando perguntamos a opinião deles sobre o PCC (Partido Comunista Chinês), eles dizem que não há o que se fazer a não ser aceitar a forma de governo. Ele está lá, não há opção. Também questionei um professor quanto ao dilema comunismo x capitalismo que ocorre na China. A resposta foi dada com tranqüilidade: o comunismo é uma ideologia, ainda viva, mas difundida e estudada por acadêmicos, pesquisadores, o chinês comum quer lucrar, quer ganhar, ter o seu iPhone. Não há comunismo ou o pensamento comunista nas cidades grandes. Poucas vezes nos sentimos neste meio, Pequim é muito semelhante a São Paulo no modo de vida. Há, porém uma evidente desigualdade social e mesmo em Pequim vemos a diferença da qualidade de vida em bairros próximos, segregados praticamente pela renda de sua população.
Ao contrário de grande maioria do grupo que optou por não viajar, eu e outra intercambista compramos passagens de ida e volta de trem para Shanghai, que nos custaram 555 yuans. Na ida iríamos com um trem de 13 horas e na volta com o novo trem bala de alta velocidade de 5 horas. Nossa compra ocorreu um dia antes de minha amiga perder a carteira, com a passagem da volta dentro, e mais grave, um dia antes do grande acidente envolvendo 2 trens bala, que saíam de Pequim a caminho de Fuzhou. Na Universidade já haviam nos alertado que o novo trem havia apresentado problemas, falhas, o que muitos desconfiam ser proveniente de desvio de dinheiro da segurança. Para evitar qualquer transtorno familiar e pelo próprio incidente com a carteira de minha companheira de viagem, desistimos desta viagem, que nos custou alguns yuans, mas principalmente, uma tarde bastante cansativa tentando nos comunicar na Railway South Station.
Nesta e em outras situações, pegamos o metrô de Pequim, que possui mais de 13 linhas, muito bem organizadas, traduzidas para o piying, com informação em inglês em cada parada. O único problema, como em qualquer metrópole ás 18h, era o grande volume de chineses se movendo de uma linha pra outra. Inesquecível o percurso da linha 13 para a 4 ou 2, era de cansar qualquer um, mesmo com seus chinelos confortáveis chineses. Tudo isso por apenas 1 yuan. Mas não esqueça: jamais compre 2 bilhetes para um mesmo dia, numa mesma estação, você pode perder 1 yuan tentando se dar bem...
E tudo muito barato! Ah o paraíso das comprar... O Mercado da Seda! Tudo que começa muito caro, 8000 yuan, pode chegar a 30 se bem negociado. Com certeza a arte de barganhar foi nossa maior lição. Bolsas, casacos, lenços, carteiras, malas. E nossa maior emoção, foi sem dúvida alguma o show de Fung Ku! Até hoje lembramos com lágrimas nos olhos da música de Chun Yi...
Outras cenas inesquecíveis foram nossos momentos de celebridade. Eu que particularmente me diferencio muito dos chineses, era constantemente parada na rua ou nas atrações turísticas para tirar fotos com meninos, meninas, famílias e até mesmo sozinha com minha sombrinha colorida. Isso quando eles não se faziam de paparazzi e tiravam fotos de nós brasileiros sem ao menos nos pedir! Com certeza tivemos nossas 4 semanas de fama!
Como disse no começo, não pararemos por aqui, acredito que ir pra China dá ainda mais vontade de voltar, de conhecer mais e mais e saber se o que lemos a respeito dela é realmente verdade, ou se dá pra se apaixonar, pra se adaptar, pra voltar para o país onde a cultura é milenar, os costumes não são abandonados com o capitalismo em sua totalidade, as crianças andam com um furo nas calças, Mao ainda é adorado, e sim, onde ouve-se Lady Gaga na balada! Wo ai ni, China!
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