01/04/2008 - Atualizado em 01/06/2012 - 15:23
China estuda reforço das leis de investimento no setor da soja
O objetivo das novas políticas mais rigorosas para o processamento de soja é de racionalizar o setor e apoiar a industria de soja da China
Pequim, China - O governo chinês está estudando propostas de lei que poderão tornar mais difícil a entrada de empresas estrangeiras no setor do processamento da soja no país, segundo fontes ligadas às negociações.
O objetivo das novas políticas mais rigorosas para o processamento de soja é de racionalizar o setor e apoiar a industria de soja da China.
Os estudos estão sendo realizados pela Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, ministério responsável pelo planejamento econômico na China, o Ministério da Agricultura e o Departamento de Pesquisa do Conselho de Estado.
"As diferenças entre as partes interessadas são muito grandes. O documento de trabalho em análise oscila entre usar medidas fiscais e aumentar o investimento em ciência e tecnologia para apoiar o setor doméstico da soja ou, do outro lado, criar novas medias para restringir os investimentos estrangeiros", disse um acadêmico ligado às negociações.
Em 2007, quatro grades multinacionais do setor dos cereais – ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus – foram responsáveis por 80% das importações chinesas de soja, com empresas de capital estrangeiro controlando 40% do processamento do cereal na China.
Segundo outras fontes da indústria que participam das discussões da nova legislação, neste momento o sentimento geral das negociações pende para a defesa dos interesses dos investidores estrangeiros.
"O investimento estrangeiro ocupa uma grande porcentagem da produção de soja processada mas, na realidade, como está disperso por tantas empresas diferentes, é difícil afirmar que o capital estrangeiro controla o mercado do setor", disse o responsável de uma unidade de processamento de cereais na província chinesa de Heilongjiang, no nordeste do país.
Existem, no entanto, apoiadores da proibição total de novos investimentos estrangeiros no setor e até mesmo quem defenda a expulsão das empresas internacionais. Mas, como disse um intermediário de óleo de soja cuja empresa está presente nas negociações, "a maioria das pessoas não acredita que esses métodos tenham algum resultado".
"Muitas empresas de processamento de óleo de soja chinesas pediram empréstimos às multinacionais. Também nos faltava tecnologia para tornar as operações mais eficientes, por isso convidamos as empresas estrangeiras a abrir parcerias", afirmou a mesma fonte.
"Os problemas da falta de capital e da falta de tecnologia continuam a existir, por isso proibir o investimento estrangeiro tem mais vantagens que desvantagens", concluiu.
Assim, os atores do mercado estão recorrendo ao estado chinês para defender os seus diferentes interesses, até porque o setor da soja é uma das industrias agro-alimentares que mais irá crescer na China no futuro.
O crescimento será sobretudo na área da soja processada, explicou recentemente à imprensa chinesa o diretor-geral da Cofco, a maior empresa intermediária chinesa de óleo alimentar, Wang Yinji.
Segundo responsável, a China, maior consumidor de óleo de soja do mundo, irá aumentar as importações depois de quedas no cultivo doméstico da soja, que causaram um aumento de 50% no preço da matéria-prima nos dez primeiros meses de 2007.
Até 1995, o país foi um exportador líquido de soja, mas o rápido crescimento da economia chinesa e sobretudo os últimos cinco anos consecutivos de crescimento médio superior a 10% inverteram a situação.
De acordo com dados oficiais, a China importou 30 milhões de toneladas de soja em 2007, que asseguraram dois terços do consumo doméstico.
O óleo de soja, segundo Wang, vai continuar a ser o principal óleo alimentar na China, com estimativas de 41% do mercado em 2010, contra os atuais 37%.
Em 2007, as compras chinesas do óleo de soja (bruto e refinado) do Brasil somaram aproximadamente US$ 320 milhões, cerca de 180% a mais do que no ano anterior, segundo dados do MAPA.
A China é o maior importador da soja brasileira, tendo comprado 27,7% dos grãos e do óleo de soja exportados pelo Brasil em 2007.
O grão de soja liderou as exportações brasileiras de produtos, com a venda de US$ 11,38 bilhões ao exterior, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) do Brasil.
Só a China comprou US$ 3,8 bilhões, um valor que deverá aumentar em 2008, até porque governo chinês iniciou a compra em massa de soja no mercado internacional para reforçar as reservas estatais
Fonte: MacaHub
Mais notícias
AgronegocioExportações do agronegócio brasileiro batem recorde em maio; soja foi destaque Saiba mais
CulturaCBCDE patrocina time de competições internacionais da PUC Saiba mais
EconomiaChina: novos rumos, mais oportunidades Saiba mais
GeralPrefeito de Bauru se reúne com presidente da CBCDE Saiba mais
NegócioCanton Fair: empresários brasileiros voltam satisfeitos de visita à feira Saiba mais
PolíticaBrasil e China oficializam intercâmbio parlamentar Saiba mais
TecnologiaHuawei traz modelo de negócio inovador para o Brasil. Saiba mais
TurismoChina: uma viagem de simplicidade, inteligência e sabedoria Saiba mais
AssociadosSany do Brasil vende 120 equipamentos na M&T Expo 2012 Saiba mais
Oportunidades


